A Democracia Corintiana

 Você com certeza já ouviu falar do famoso movimento "Democracia Corinthiana", porém muitas pessoas não sabem o que foi e como aconteceu. Por isso, hoje vamos falar sobre uma das maiores glórias da história do Timão. Segue o fio:

O ano era 1979 e o Brasil ainda enfrentava a sombria época da ditadura militar, período que durou quase 20 anos, durante o qual o país era liderado apenas por militares, sem que a população pudesse votar. E foi em fevereiro de 1979 que, durante um jogo entre Corinthians e Santos, uma bandeira na torcida do Timão foi levantada, com a inscrição: "Anistia ampla, geral e irrestrita". Essa faixa ficou marcada como o primeiro envolvimento da torcida corintiana contra a ditadura, e aquilo seria apenas o começo.

Avançamos um pouco no tempo e chegamos ao ano de 1981, momento em que o Corinthians passa por uma troca de administração e seu novo presidente, Waldemir Pires, muda o cenário do time. O clube contava com jogadores emblemáticos como Biro-Biro, Casagrande e o lendário Sócrates, que marcaram o movimento democrático. Por conta da nova direção, o Timão passou a ter uma maneira diferente de tomar decisões: todos os funcionários do clube votavam para decidir as questões, como a troca de técnico, a dinâmica da concentração, entre outras, tudo decidido de forma democrática.

Com isso, o nome “Democracia Corinthiana” tomou conta do clube e, rapidamente, um movimento que era interno passou a ganhar as quatro linhas do campo. Liderada pelos jogadores Sócrates, Casagrande e Vladimir, a campanha tomou conta do tempo e estampava nas camisas a causa. Perto das eleições, o Timão ainda estava no campo com uma linda camisa com a inscrição "Dia 15 vote" e, na final do Campeonato Paulista de 1983, entrou com uma enorme faixa escrita "Ganhar ou perder, mas sempre com democracia". O governo brasileiro tentou barrar o movimento e chegou a pedir para o Corinthians parar de se manifestar politicamente

Alguns jogadores do clube eram contra o movimento, como o goleiro Emerson Leão, que defendia que tal campanha era apenas um movimento para beneficiar alguns jogadores. Porém, o rachamento do elenco foi rápido, uma vez que Emerson acabou saindo do time e indo para o Palmeiras. Os eventos passaram a falar sobre democracia fora de campo e foram personagens importantes em gigantescos que pregavam o direito do cidadão ao voto. Em 1985, a direção do Timão mudou, e o presidente Roberto Pasqua deu fim à Democracia Corinthiana.

A ditadura militar acabou em 1985, mas as eleições no país só ocorreram em 1989, quando o povo finalmente conseguiu eleger seu presidente de maneira democrática. Até hoje, o movimento “Democracia Corinthiana” é comentado e admirado por diversas pessoas. Ele foi algo que ultrapassou as quatro linhas do futebol e foi de extrema importância para dar visibilidade à luta contra a opressão da época. A campanha é histórica e deve ser sempre lembrada como um movimento de luta no esporte.

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